As lagrimas caiam finas e frias. Uma seguindo a outra, dolorosamente lentas. Com certeza é um sentimento novo que você está experimentando. Sabia o que isso causaria. Devia ter se afastado quando começou a se importar. Tarde demais.
- Casamento? Eu sou casado. Isso é ridículo.
Sim, é. É ridículo se expor dessa forma a ele. É humilhante. Dizer o que sente? Que bobagem! Quem foi que disse essa tolice? Por quê? Pra quê? É tão mais fácil ser você sem que o outro saiba quem é. Muito mais seguro.
- Você quer terminar? Tudo bem, se é o que quer.
Aceitação. Fria, como a noite em que se viu só, como as lagrimas que continuam molhando seu rosto, como o vazio que se fez presente. De inicio a vitória de ter conseguido o afastamento. Ele estando longe não corria o risco de se machucar mais.
Depois o desespero de não tê-lo de forma alguma. Dependência, cruel dependência. Então você percebe que ele é uma droga que lhe consome pouco a pouco. Maldito! É pior assim, é pior sem ele.
- Você já sabia no que isso ia dar.
“Ia dar”. Passado. Falar no passado não te ajuda a reerguer. É doloroso imaginar que não pode mais ser. Tudo bem, sim, tudo bem. Você pode aceitar isso. Para todo vicio há uma cura. Mesmo que sofra abstinência, se curaria.
- Você decide: podemos continuar sendo amantes e esquecer o que você começou, ou dar um fim a tudo.
O maldito sorriso estava lá, acompanhando cada maldita palavra. Sim, é sua culpa. Você começou. Começou quando resolveu dizer o que sente. Tudo bem, você pode conviver com isso. Pode errar uma vez, nunca uma segunda.
- Como se sente agora?
Como se sente agora? Do mesmo jeito. As lagrimas continuam a rolar, a dor permanece no mesmo lugar. Chorar pela simples possibilidade de perdê-lo... Patético, sim, muito patético. No que havia se tornado? Quem era essa pessoa? Não é você. Não, não pode ser.
- Não da pra piorar.
Essa é você. Sincera, objetiva. Chega desse lado sentimental, você não é assim. Você não diz essas coisas. Você não pede atenção. Você não anseia pessoas. Você é quem é, não importa quem os outros sejam. Volte a ser.
- Seria pior se deixássemos de nos ver.
Tolo, bem se vê que não conhece você. Você não se deixa humilhar. É você quem segura as rédeas, quem guia e escolhe a direção. Não, não esta tudo bem. Desde o momento em que experimentou dessa droga.
- Convencido, obrigada por me lembrar.
Aos poucos o organismo se acostuma a não ter mais a toxina. E assim você fará com ele. Porque ele não é nada além de uma toxina, uma toxina maldita, que está impregnada no seu corpo, que corre nas suas veias, que nubla sua mente e faz você esquecer quem é.
- Desculpa.
Não, não há como fazê-lo. Toda mulher sabe ser cruel. Deliciar-se-á com cada momento, cada agulha que lhe ferir a carne, sutil e dolorosa. Até ficar totalmente inerte a ele. É possível manter-se frigida. Provavelmente não faz diferença nenhuma a ele.
- Você está nervosa?
Só mais um desconhecido que passou por sua vida. Convença-se disso. Há tantos outros e ão de vir mais. Você pode aceitar e conviver com quase tudo. Não vai morrer por isso, por tão pouco, não vai desabar. Já houve coisas piores, sentimentos mais fortes.
- Não. Triste talvez.
Um cristal, um cristal quebrado. Não se pode consertar, não há como ignorar a rachadura. É uma peça perdida. Um mínimo toque agravará a situação. Apenas jogue-o fora. Esqueça e suma. Como sempre faz.
- Por que estaria?
Boa pergunta. Por que estaria? Não deveria. Vamos! Desde quando não tem respostas para perguntas sobre o que sente? Essa você sabe a resposta. Desde aquele dia, fatídico dia, para não dizer maldito dia.
- Nada que você seja capaz de entender.
Assunto encerrado. Nunca imaginou que pudesse ser tão direta, friamente direta, não com ele. Ele é esperto. Sabe o que significa assunto encerado. Não seria sensato entrar num campo minado. O que ele não sabe é que você por inteira é um campo minado.
- Me senti estranho quando disse aquilo, sobre terminar.
Claro que sim. Imagino o que sentiu. Revolta. Cada palavra sua fora carregada de revolta, ironia. Foram venenosas em cada letra. Não pode culpá-lo, não. A culpa foi sua. Sua culpa se importar com isso, sua culpa sentir a dor de cada picada, sua culpa se deixar atingir. Apenas sua culpa.
- Apenas disse o que sentia. Não se preocupe, não cometo o mesmo erro duas vezes.
Chega de meias palavras. Por fim, você só está magoada. Mas passa.
ahhh que lindo ^^
ResponderExcluircontinue com suas historias
são lindas
by: Jeze