A noite permanece fria, inicio de inverno. As mãos cobertas por luvas. Os fios entrelaçados que formam a peça prendem sua atenção. Inerte. O pacífico enevoa, jorra, dentro de você, seca sua garganta. Gélido. Pedras de gelo ferem a carne já sensível. Despedaça. Tão forte, tão vivo. Palpita. Fraco.
- Aconteceu alguma coisa?
A porta está a sua frente, a chave em suas mãos. Fechada, mas não trancada. Trancar? Um passo, uma decisão. Medo. Seguir, voltar, parar. Pra onde ir? O que fazer? Decidir. Dor. Dói? Palavras ferem, marcam, fazem sangrar. As minhas lhe feriram, as suas me feriram. Estamos quites? Não.
- Tenho que me matar.
E você se vê sem saber o que fazer. Mais fria do que o frio que te cerca. O meio termo, a indecisão. Sempre odiou isso. Nem sim, nem não, nem talvez. Nem pouco, nem muito, nem nada. Impossível viver assim. Inerte.
- O que?!
E agora? Da onde vem esse desejo insano de explorar o desconhecido? De agarrar o corpo sem rosto? De amar um ser sem rumo? Lembranças... O passado se apaga com o tempo, sendo bom ou ruim, se vai. O presente é incomodo. Pacato demais, previsível demais, simples demais...
- Estou com vontade de falar com ele.
O futuro... Ah, o futuro! Maravilhosamente imprevisível, complexo, belo. Da onde vem essa corda que lhe puxa em direção ao nada? E essa mão? Pertence a um braço inútil e inóspito? E esse sorriso nessa face sem nome?
- O amor de vocês é lindo.
Essa coisa forte que embaça sua visão, qual é o nome? Prefere não dizer? Que diferença faz? Ela faz você agir de forma impensada, atrapalha seus pensamentos e ações, ignora sua razão. Ainda dói?
- Não é pra tanto.
Dói porque se importa demais, se entrega demais, ama... Ama demais?
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